andava por aqui à procura de pontas na algibeira. tropecei em papéis, textos, coisitas virtuais, como, de resto, virtual é muito daquilo que se vai vivendo [voltarei aqui um destes dias]. ou não.
encontrei um desabafo que já não me lembrava de ter soltado. enquadra-se muito remotamente, talvez, porque posicionado no ângulo oposto, no desenrolar das últimas vivências colectivas.
Ontem. Foi assim.
Deitei-me tarde. Procurei todo o serão por aquela palavra. Vasculhei. Percorri uma infinidade de páginas. Desisti.
Um sono atribulado espreitava. A acta por terminar. E aquela palavra...
Pior que não saber, é não saber exactamente o que se procura.
A angústia tomou conta de mim. Como toma sempre nestas circunstâncias.
Pensava, corrigir dá trabalho. Confrontar dá imenso trabalho.
Sempre ouvi falar da felicidade como o limite que existe, sem que ninguém saiba muito bem onde. Ocorreu-me que felicidade e trabalho caminham juntos. As dúvidas também. Talvez.
Dúvidas? Onde?
Claro que nós não. Nunca. Ainda bem.
Acordei.
[Numa sociedade que se quer competitiva, quase asséptica e onde produzir é sinónimo de ficar atolado numa lama de trabalho até à inconsciência, não há lugar a esse nobre devaneio. Interessa apenas a resposta rápida. Tudo para Ontem. Mas tal como o amanhã, não sabemos se existe.]
É interessante. Ou deprimente.
Sobre a educação muita tinta corre. Sobre a condução também. Muito ruído se faz ouvir. Sente-se a angústia crepitante da obtenção de resultados. [Obtém resultados. Funciona. Boa educação. Não obtém tudo falha.]
Os alunos, matéria-prima em bruto com que se molda inequivocamente o futuro, não podem ser objecto permanente de análise como se de uma transacção financeira se tratasse. Deu lucro ou prejuízo? Quer-se frenética e ingenuamente que haja bons alunos como se fosse uma característica inata, um dado adquirido. Ignora-se a individualidade, ignora-se a especificidade de cada ser. Ignoram-se as maravilhas que o tempo produz, ignoram-se os ciclos da natureza, ignora-se o trabalho, e ignora-se sobretudo o que fazemos por CÁ...
Estamos mais inseguros que nunca. Querem-se números. Precisamos deles. Resultados palpáveis e bem estampados algures para que nunca esqueçamos. Se não pararmos, muito cheios de cosmopolitanismo e um ego, que de tão inchado, inflamou, saberemos que corremos porque é assim mesmo.
[«Já o cá encontrámos» diriam numa aldeia perdida por este país, mas claro que nós não! Não nos levamos por esses pensamentos. Não sabemos porque corremos. Mas corremos. E se todos correm. É porque faz parte do jogo, da manutenção de uma qualquer estrutura com absoluto desinteresse. Carneirada dir-se-ia.]
Como a felicidade não entra nesta apreciação não interessa saber em que ponto se situa.
Mas talvez a aferir-se devesse ser alvo de plano de quase contingência nacional [salvo excepções fabulosas para quem esta é a disciplina mais importante porque sabe que todo resto vem por acréscimo].
A paranóia colectiva ou uma espécie de stress pós traumático instala-se. Afogados em medo queremos encontrar aquele antídoto para as maleitas. Aquelas. As maiores.
A ciência não encontra solução para almites, traduza-se, inflamação do órgão maior e mais difícil de encontrar, apelidado de alma.
Às vezes os óptimos resultados, os visíveis, sem mais, são uma espécie de efeito placebo, em que outras dimensões se tornam inquestionáveis.
Por vezes pergunto-me se tivéssemos atingido um ponto de evolução de tal ordem em que os números não existissem, como estaríamos...
Por vezes pergunto-me ainda como é que ser professor pode passar pela cabeça de alguém que queira no mínimo sobreviver. Não sei efectivamente. Mas posso sempre perguntar como não? Ou porque não? Vasculho na memória, já suficientemente rasurada e talvez a escola me tenha sido apresentada como um lugar seguro. A escola tem de ser um lugar seguro. Sempre.
Deitei-me tarde. Procurei todo o serão por aquela palavra. Vasculhei. Percorri uma infinidade de páginas. Desisti.
Um sono atribulado espreitava. A acta por terminar. E aquela palavra...
Pior que não saber, é não saber exactamente o que se procura.
A angústia tomou conta de mim. Como toma sempre nestas circunstâncias.
Pensava, corrigir dá trabalho. Confrontar dá imenso trabalho.
Sempre ouvi falar da felicidade como o limite que existe, sem que ninguém saiba muito bem onde. Ocorreu-me que felicidade e trabalho caminham juntos. As dúvidas também. Talvez.
Dúvidas? Onde?
Claro que nós não. Nunca. Ainda bem.
Acordei.
[Numa sociedade que se quer competitiva, quase asséptica e onde produzir é sinónimo de ficar atolado numa lama de trabalho até à inconsciência, não há lugar a esse nobre devaneio. Interessa apenas a resposta rápida. Tudo para Ontem. Mas tal como o amanhã, não sabemos se existe.]
É interessante. Ou deprimente.
Sobre a educação muita tinta corre. Sobre a condução também. Muito ruído se faz ouvir. Sente-se a angústia crepitante da obtenção de resultados. [Obtém resultados. Funciona. Boa educação. Não obtém tudo falha.]
Os alunos, matéria-prima em bruto com que se molda inequivocamente o futuro, não podem ser objecto permanente de análise como se de uma transacção financeira se tratasse. Deu lucro ou prejuízo? Quer-se frenética e ingenuamente que haja bons alunos como se fosse uma característica inata, um dado adquirido. Ignora-se a individualidade, ignora-se a especificidade de cada ser. Ignoram-se as maravilhas que o tempo produz, ignoram-se os ciclos da natureza, ignora-se o trabalho, e ignora-se sobretudo o que fazemos por CÁ...
Estamos mais inseguros que nunca. Querem-se números. Precisamos deles. Resultados palpáveis e bem estampados algures para que nunca esqueçamos. Se não pararmos, muito cheios de cosmopolitanismo e um ego, que de tão inchado, inflamou, saberemos que corremos porque é assim mesmo.
[«Já o cá encontrámos» diriam numa aldeia perdida por este país, mas claro que nós não! Não nos levamos por esses pensamentos. Não sabemos porque corremos. Mas corremos. E se todos correm. É porque faz parte do jogo, da manutenção de uma qualquer estrutura com absoluto desinteresse. Carneirada dir-se-ia.]
Como a felicidade não entra nesta apreciação não interessa saber em que ponto se situa.
Mas talvez a aferir-se devesse ser alvo de plano de quase contingência nacional [salvo excepções fabulosas para quem esta é a disciplina mais importante porque sabe que todo resto vem por acréscimo].
A paranóia colectiva ou uma espécie de stress pós traumático instala-se. Afogados em medo queremos encontrar aquele antídoto para as maleitas. Aquelas. As maiores.
A ciência não encontra solução para almites, traduza-se, inflamação do órgão maior e mais difícil de encontrar, apelidado de alma.
Às vezes os óptimos resultados, os visíveis, sem mais, são uma espécie de efeito placebo, em que outras dimensões se tornam inquestionáveis.
Por vezes pergunto-me se tivéssemos atingido um ponto de evolução de tal ordem em que os números não existissem, como estaríamos...
Por vezes pergunto-me ainda como é que ser professor pode passar pela cabeça de alguém que queira no mínimo sobreviver. Não sei efectivamente. Mas posso sempre perguntar como não? Ou porque não? Vasculho na memória, já suficientemente rasurada e talvez a escola me tenha sido apresentada como um lugar seguro. A escola tem de ser um lugar seguro. Sempre.
2 comentários:
É por estas coisas que algumas pessoas devem ter blogues... porque põem em palavras aquilo que outros pensam e não dizem, ou pensam mas não sabiam que pensavam, ou pensam mas não sabem dizer...
Wass, gostei muito deste texto. Parece-me que ajuda "a outra parte do mundo" a entender como pensará uma pessoa verdadeiramente dedicada ao ensino. Obrigada e... parabéns pelo blog!
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