no dia de S.Francisco, deixo aqui um texto a propósito da alegria, no qual tropecei há alguns anos e por onde gosto de ir parando. uma hipótese de compreensão luminosa para as situações de escuridão.
"Mas qual é a verdadeira alegria?
Regresso de Perúsia e venho para cá numa noite escura. Está um tempo de Inverno, lamacento e frio, a tal ponto que nas bordas de minha túnica se formam pingentes de gelo, batendo-me constantemente nas pernas, e das feridas jorra sangue.
E cheio de lama, de frio e de gelo, chego à porta e, depois de ter batido e chamado durante muito tempo, um irmão vem e pergunta: Quem é? Eu respondo: Frei Francisco. E ele diz: Vai-te embora. Não são horas de andar por aí. Agora não entras.
E àquele que insistisse ele responderia novamente: vai-te embora, não passas de um pobre e ignorante; seja como for não entras; somos tantos e tais que até nem precisamos de ti.
E eu estou de novo junto à porta e digo: Por amor de Deus, recebei-me esta noite. E ele responderia: Não. Vai para o asilo dos leprosos e pede lá guarida.
Afirmo-te que se eu tiver paciência
e não ficar abalado,
é nisto que reside a verdadeira alegria
e a verdadeira virtude
e a salvação da alma."
S. Francisco de Assis.
in, Quinze dias com S. Francisco de Assis, Frère Thaddée Matura, Paulus.