domingo, 28 de novembro de 2010

do Advento. da(s) esperança(s).



NATAL

Nasce mais uma vez
Menino Deus!
Não faltes, que me faltas
Neste inverno gelado.
Nasce nu e sagrado
No meu poema,
Se não tens presépio
Mais agasalhado

Nasce e fica comigo
Secretamente,
Até que eu, infiel, te denuncie
Aos Herodes do mundo.
Até que eu, incapaz
De me calar
Devasse os versos e destrua a paz
Que agora sinto, só de te sonhar.

Miguel Torga, in Antologia Poética, 1999
Public. D. Quixote, Lisboa

domingo, 21 de novembro de 2010

parêntesis mais ou menos poético - paragem mais ou menos real

final de domingo. a decisão objectiva de uma paragem - querida, necessária - obrigatória. lá fora chove. algures nos sítios, nos corpos, nas ideias faz frio. muito frio.
suspendo os tempos das (pre)ocupações que roubam tempos ao tempo e confronto-me com uma estranha lucidez. clareza. secura. aquela que é própria de quem sabe nomear.
o homem ora diabolizado, ora adorado, na sua humanidade mais profunda. interessante.