terça-feira, 15 de dezembro de 2009

da inteireza


"Ontem conheci um homem inteiro. É uma experiência rara, mas sempre iluminadora e enobrecedora. Custa tanto ser uma pessoa inteira que muito poucos têm a luz, ou a coragem, de pagar o preço... Têm que se abandonar todas as seguranças, e correr o risco de viver corajosamente. Tem que se abraçar o mundo como um amante, e no entanto não exigir retorno. Tem que se aceitar a dor da existência. Tem que se reconhecer que a dúvida e a escuridão fazem parte do processo de conhecimento. É preciso uma vontade firme, sempre em desacomodação, mas, ao mesmo tempo, aberta a aceitar todas as consequências de viver e de morrer”
 

Morris West, “As sandálias do pescador"



ofereceram-me este texto há uns dias. tenho parado nele. não resisto a deixá-lo por aqui.
grande desafio para a época.
projecto de novo ano. de novos anos. novos dias. todas os dias. nova eu.
obrigda M.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

quando os sonhos podem ser reais...



uma paragem. um alerta. mudar qualquer coisa. começa em mim. sempre.

não espero muito de decisões políticas, que são acima de tudo burocráticas. económicas.
o exercício individual não muda mundos, mas oleia os motores...
as formas de estar não se decretam: trabalham-se, educam-se. experimentam-se as mudanças.

quem quer faz. quem não quer larga e espera que outros façam. quem quer faz. com decretos ou sem eles.

quem quer faz. pelo menos olhou-se para o assunto.

esperemos... façamos...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

domingo, 4 de outubro de 2009

tenho andado por aqui nos últimos tempos.



no meio de paragens, as permitidas, vou passando por aqui.
muito, mas muito devagar. para que possa ir saboreando.

se há livros que valem a pena ser degustados, este é definitivamente um deles.

não sei exactamente como tropecei neste lugar de inquietações. de abertura. de busca intensa. de silêncios. de ruídos. de imagens, por vezes, em espelho... de esperança. ainda bem.

bastam-me os diálogos permitidos.

ser do mundo sem lhe pertencer. que sensação maravilhosa. ponto.

sábado, 3 de outubro de 2009

o fim que se avizinha.



um fim-de-semana prolongado. metropolitano. mudança de planos. sem os amigos esperados.
um acordar tranquilo. a luz suave. a paz que me habita.
para lá dos contratempos. para lá das imperfeições. das estórias menos conseguidas.
para lá das ideias feitas. dos outros. minhas.

o outono que se vai instalando. na luz que quero guardar.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

ouvir. música. sempre. por perto.




"Pode uma forma ter som? Um som possuir forma, aludir uma imagem? Um gesto em desenho proporcionar em elemento audível correspondente? Uma sucessão de formas influenciarem consequentes notas, como música?

Cosmolodias é um projecto de fusão de música e design que nasceu da pertinência destas questões e que tem no seu discurso uma resposta, mesmo que soe improvável. O desenho pensado como música, a música incutida como desenho no intuito de obter uma música-gráfica coerente, ética e uníssona. (...) A leitura/audição de Cosmolodias vive separadamente mas não se propõe, potencialmente, a ser sentida de forma isolada."

Dos autores Mário Laginha e João Borges. Uma proposta.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

il ritorno

depois dos regressos. mais regressos.

regressada de um ano árduo. regressada das férias. regressada de regressar.

regressos aparentemente graduais. sentidos em alta velociadade. com violência.
o ritmo alucinante que o corpo ainda não consegue acompanhar. um cansaço extremo.

já lá vai um mês de trabalho. novas aventuras. novos desafios.

respiro fundo. acordo cedo. vivo consciente. estou onde tenho de estar. respiro de novo.
de bem com a vida permaneço sempre em casa. em casa não há saudade.

inspiro. expiro. procuro a lentidão. aquela que me devolve. (À)VIDA.

sabe bem parar. pelo menos abrandar.

o blogue esteve nas brandas. não sei por onde seguirá.
é uma praça engraçada. se bem que, nunca achei particular piada ao esvaziamento citadino de um domingo à tarde...em que se espreita da janela, sem coragem para sair, tomar um café e dizer viva...

sábado, 1 de agosto de 2009

desafio de férias. a não perder de vista

para aqueles que foram e vieram. para os que ainda não foram, mas estão a pensar em ir. para aqueles que estão. e para os que não poderão estar.

que os tempos de paragem tragam mais do que levam. e permitam os encontros necessários.

e já agora. boas paragens. onde quer que se situem.

NÃO TE PERCAS DE VISTA

“Já aprendi que as férias que valem a pena
são menos determinadas pelo calendário
do que pelo apelo da nossa vida interior.
Por isso peço Senhor, dá-nos essas férias!
Dá à nossa vida o gosto
dos pequenos prazeres
que a pressa nos rouba:
o perfume de certas viagens,
o afago das conversas que se prolongam,
a escuta e o dom,
o sentido extraordinário
que nas coisas mais simples surpreendemos.
Que às amizades não faltem praias largas
onde se reaprende a caminhar lado a lado.
Dá-nos onde quer que estejamos,
um pouco do mar ao fundo,
esse mar liso e livre dos dias de calmaria
porque ser amigo, tu sabes, é olhar
às vezes sem palavras, na mesma direcção.
Dá-nos a ver, Senhor, paisagens puras:
bosques verdes, desertos brancos
e corações imensos.
Ensina-nos que o tempo perdido a contemplar
é tão útil como o gasto a fazer
e o tempo que se perde a dar
é que nos faz realmente possuir.”


José Tolentino de Mendonça

quinta-feira, 2 de julho de 2009

domingo, 28 de junho de 2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

porque hoje é o primeiro dia de junho...



























































































aqui ficam alguns bons conselhos de amigos animais.


pelo menos assim anuncia a capa, de «DANÇA QUANDO CHEGARES AO FIM» com texto de Richard Zimler e ilustrações de Bernardo Carvalho, da Caminho. gosto de leituras e livros. gosto de ilustração. cada vez mais, da infantil. esta minha tendência é acompanhada pelo surgimento de um maior número de propostas interessantes, inovadoras e alternativas. (que bom.)

no dia de hoje achei por bem partilhar esta novidade: para os que são crianças. para os que têm crianças. para aqueles que já foram crianças, algures num tempo fugido. com frases curtas e imagens limpas.

domingo, 31 de maio de 2009

no meio do verde. discreta.



no coração. maciço central. à procura Da Mestra (Nave)



























































































paragem. respiração. cadência.
a luz que se entranha. a explosão de cor. e os músculos mais esquecidos, porque menos usados, que se queixam e dizem vivos.
já tinha saudades destes "contactos" e destas paragens. estratégicas. essenciais.
olhar do alto ajuda a ver mais longe, ainda que nem sempre saiba onde se está...
as conversas como aperitivo. a companhia como sobremesa. o vento como rebuçado. o silêncio: a refeição principal.

terça-feira, 28 de abril de 2009

e já agora. pelo dia da terra. com atraso. contribuição caseira.

































era uma vez uma vontade. era uma vez uma consciência.
era uma vez, uma vez.

era uma vez muitas vezes, em que acreditar vale a pena. não com pretensão. pelo menos aquela, talvez adolescente, de quem leva tudo na frente e derruba as barreiras de uma só vez.

quero ficar com a melhor parte. aquela que vê possibilidades, onde pode reconhecer-se o desencanto. um acreditar profundo que a mudança real começa em mim. esse terá sido um grande feito.
uma consciência plena que a cada momento faço opções que têm necessariamente consequências: agora ou mais tarde. sou um sujeito político por natureza. uma estratega da vida. a querer ser simples.

há muito que ando para reflectir isto por estas bandas...

alguma coisa se começa a fazer, infelizmente pela imposição. há dias li num supermercado que houve uma redução tremenda no consumo de sacos…estamos a ir muito bem! pena é que tenha de ser imposto um preço para que a transformação aconteça. podia ser pior: podia pensar-se que os sacos, afinal, nem são assim tão caros...
como é que o princípio da redução do consumo e consequente desperdício não basta?

e como estas há muitas. vamos entrando numa onda em que os RRRR fazem cada vez mais sentido. ainda bem. no entanto, é tão bom saber que não se vai atrás de modas ou imposições, mas algo acontece assim simplesmente porque não podia ser de outra maneira!

deixo como ilustração parte da família ecover, muito conhecida e convocada cá por casa. um limão cortado ao meio, usado até à exaustão: tempero, chá, desinfectante… e a certificação biológica. faltou aqui o vinagre, do qual tenho usado e abusado.

este universo é algo que me interessa muitíssimo. alguns segredos do tempo das nossas avós são extremamente interessantes e fáceis. se alguém souber «truques» faça o favor… e já agora receitas alternativas, curiosidades agrícolas, ervas aromáticas, chá… é bom saber que há companhia pelas preocupações.

por hoje. chega.



quinta-feira, 23 de abril de 2009

ainda a propósito da primavera. de livros. de terra (porque não?)


































































































há uns dias, numa incursão (que pretendia pausada), aguardada há algum tempo, pela livraria Sá da Costa encontrei este livro (de uma 2ªedição de 1981) de Maria César Anjo, com umas ilustrações fabulosas da Maria Keil.

pareceu-me muito bonita, mesmo poética, esta imagem da primavera como o tempo a crescer.

trata-se de uma colecção composta de mais três livros /estações. creio que vou comprar um livro por estação, se não conseguir aguentar todos estes dias, fá-lo-ei espaçadamente para que não me esqueça de passar, necessariamente, pelo ao sítio onde cheira a papel antigo, memória (alguma dela talvez colectiva) e verdadeiras preciosidades…que perdição. encontrei uns quantos livros, sobretudo infantis dos quais me lembrava muito vagamente. há muitos, muitos anos.

já agora para os amigos da Física…uns caderninhos pequenos escritos pelo Rómulo de Carvalho, com explicações das várias áreas temáticas.
dia do livro. calha bem.

terça-feira, 14 de abril de 2009

primavera ficcionada. enquanto a verdadeira não chega.

















(Coimbra)
para os amigos ansiosos por bom tempo. ou por voos.
fico com os voos. os possíveis.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

ainda de passagem. em pasta de papel. no Museu Machado de Castro.





boas vindas. boas idas. boas permanências.











há tempos assim. 
para chegar ao outro lado, em vez da linha recta, uso a aproximação circular e dou uma volta muito maior.

vejo tudo aquilo que não veria de outra forma.

ainda que seja uma maratona com vinte e duas horas e nelas se incluam uns momentos de descanso, vale a pena.

depois das correrias, um acolhimento tranquilo e a possibilidade de seguir viagem.

pelo caminho preenchem-se espaços vazios com conversas, paisagens, visitas, pastéis, leituras, partilhas culinárias.

os cabos da máquina ficaram em casa. o carregador de bateria também. o merecido descanso. sem vícios. para que permaceça o que importa realmente.

à medida que as fotografias possíveis se vão descarregando, algo se vai avivando, ganhando forma. aquela que deve ter.

terça-feira, 24 de março de 2009

chegada da nova estação. na Estrela. ou lá perto.




sábado, 21 de fevereiro de 2009

dia de aniversário. um ano.
dia de celebrar o novo que entretanto já não é tão novo quanto isso. nem novo. nem novidade.
tenho passado pouco por aqui. por falta de tempo. literalmente. por falta de assunto. também. ou melhor, por falta de paciência para escrever sobre os assuntos.
tem dias. no meio das muitas coisas que tenho para viver e muitas vezes resolver, nas parcas horas que o dia me deixa, prefiro as conversas...depois não há espaço para o registo.
quando as pálpebras (resistentes) não se fecham, registo no livrinho de cabeceira o pouco que resta e que gostaria que permanecesse intacto.
não sei se é assim, se sempre foi. ou se o é com todas as pessoas. na exacta medida em que o tempo evolui e que a oxidação acontece em mim, o conceito de velocidade transforma-se em algo semelhante a uma progressão geométrica.
creio que nunca pensei na velociadade enquanto conceito dinâmico e mutável à medida das necessidades... cada vez mais. é dessa forma que se apresenta. nos meus dias.
este ano, lectivo entenda-se, é um ano de acumulações. coisas. coisinhas. trabalhos. reflexões. apresentações. reuniões. atendimentos. mais reuniões. cabelos brancos das reuniões. e ontem, foi fim de ano.
tem-me acontecido nos últimos tempos perceber que o tempo passou, não porque controlo os autocarros pela chegada dos aviões (como há uns anos, em que sabia o avião da easy-jet sobrevoava certos telhados de Campo de Ourique, sensivelmente pelas 7h35mim e se assim não fosse quem estava atrasada era eu), nem porque tenho trabalhos para entregar (isso é sempre para ontem) e muito menos porque vejo o calendário...mas porque fico completamente baralhada quando faço uma pausa para fazer um bolo e percebo que não devo porque metade dos ingredientes passou da validade. sou cuidadosa com as compras, mas inevitavelmente penso: será que comprei fora da validade? lembro-me disto(...) e foi há tão pouco tempo.
isto é algo cada vez mais recorrente nos meus dias.
basicamente um ano também passou assim. parece que foi ontem que estive com a T a iniciar um blogue, pesquisei uma música dos Sigur Rós e acabámos com um jantar fabuloso feito pelo R.
talvez seja essa a utilidade dos blogues... criar ferramentas que permitam registar e acompanhar de forma documentada uma qualquer coisa. algibeiras...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Juan Muñoz
















(Imagem: fotografia «oficial» presente na comunicação da exposição)

ainda uma possibilidade. até 24 de fevereiro. a não perder. em serralves.

muitas são as histórias destes senhores. ouvem-se os ruídos sem som organizado. muitas conversas às quais não somos chamados. metáfora? os pés presos ao chão. o mundo preso ao corpo.

foi assim. um fim-de-semana sem máquina, mas com memória(s).

domingo, 18 de janeiro de 2009

BWV 659




foram assim os últimos dias. uma surpresa interessante. daqueles acasos absolutamente incompreensíveis...

era uma vez uma cassete que andava num carro de uma amiga. perdida. e fabulosa. estragou-se pelo desgaste de todas as vezes que serviu de companhia. pelas horas infinitas de acolhimento de sentimentos invernosos. primaveris.

muitos foram os momentos em que deambulei pela fnac à procura. não sabia exactamente o que procurava, é certo. andaria pelo ano de 2002. sábado, numa busca absolutamente desinteressada, apenas movida pela curiosidade, peguei num cd...e o desfecho, o óbvio. nem queria acreditar...

não resisto a deixá-la por aqui (a minha versão é interpretada pelo Pedro Burmester
).

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

que 2009 seja.
o que quisermos.
o que a circunstâncias permitirem.
o que os limites do sonho impuserem.
ou não. bom ano!

deixo aqui um excerto de uma música do Pedro Barroso, revisitado no final de ano.
("agora nunca é tarde")

"…e se aquilo que nos dão todos os dias
não for coisa que se cheire
ou nos deslumbre
que pelo menos nunca abdiquemos de pensar
com direito à ironia, ao sonho, ao ser diferente
e será talvez uma forma inteligente
de afinal,

nunca

nunca

nunca ser tarde demais para viver
nunca ser tarde demais para perceber
nunca ser tarde demais para exigir
nunca ser tarde demais para acordar"