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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Mas qual é a verdadeira alegria?

no dia de S.Francisco, deixo aqui um texto a propósito da alegria, no qual tropecei há alguns anos e por onde gosto de ir parando. uma hipótese de compreensão luminosa para as situações de escuridão.

"Mas qual é a verdadeira alegria?

Regresso de Perúsia e venho para cá numa noite escura. Está um tempo de Inverno, lamacento e frio, a tal ponto que nas bordas de minha túnica se formam pingentes de gelo, batendo-me constantemente nas pernas, e das feridas jorra sangue.

E cheio de lama, de frio e de gelo, chego à porta e, depois de ter batido e chamado durante muito tempo, um irmão vem e pergunta: Quem é? Eu respondo: Frei Francisco. E ele diz: Vai-te embora. Não são horas de andar por aí. Agora não entras.

E àquele que insistisse ele responderia novamente: vai-te embora, não passas de um pobre e ignorante; seja como for não entras; somos tantos e tais que até nem precisamos de ti.

E eu estou de novo junto à porta e digo: Por amor de Deus, recebei-me esta noite. E ele responderia: Não. Vai para o asilo dos leprosos e pede lá guarida.


Afirmo-te que se eu tiver paciência
e não ficar abalado,
é nisto que reside a verdadeira alegria
e a verdadeira virtude
e a salvação da alma."


S. Francisco de Assis.

in, Quinze dias com S. Francisco de Assis, Frère Thaddée Matura, Paulus.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

il Signore (ti) ristora

uma música/frase que cruza os meus pensamentos com alguma frequência.

o início do encontro ibérico de Taizé a decorrer no Porto por estes dias.
a memória revisitada. fico com a minha condição de peregrina...

sábado, 1 de agosto de 2009

desafio de férias. a não perder de vista

para aqueles que foram e vieram. para os que ainda não foram, mas estão a pensar em ir. para aqueles que estão. e para os que não poderão estar.

que os tempos de paragem tragam mais do que levam. e permitam os encontros necessários.

e já agora. boas paragens. onde quer que se situem.

NÃO TE PERCAS DE VISTA

“Já aprendi que as férias que valem a pena
são menos determinadas pelo calendário
do que pelo apelo da nossa vida interior.
Por isso peço Senhor, dá-nos essas férias!
Dá à nossa vida o gosto
dos pequenos prazeres
que a pressa nos rouba:
o perfume de certas viagens,
o afago das conversas que se prolongam,
a escuta e o dom,
o sentido extraordinário
que nas coisas mais simples surpreendemos.
Que às amizades não faltem praias largas
onde se reaprende a caminhar lado a lado.
Dá-nos onde quer que estejamos,
um pouco do mar ao fundo,
esse mar liso e livre dos dias de calmaria
porque ser amigo, tu sabes, é olhar
às vezes sem palavras, na mesma direcção.
Dá-nos a ver, Senhor, paisagens puras:
bosques verdes, desertos brancos
e corações imensos.
Ensina-nos que o tempo perdido a contemplar
é tão útil como o gasto a fazer
e o tempo que se perde a dar
é que nos faz realmente possuir.”


José Tolentino de Mendonça