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domingo, 28 de novembro de 2010

do Advento. da(s) esperança(s).



NATAL

Nasce mais uma vez
Menino Deus!
Não faltes, que me faltas
Neste inverno gelado.
Nasce nu e sagrado
No meu poema,
Se não tens presépio
Mais agasalhado

Nasce e fica comigo
Secretamente,
Até que eu, infiel, te denuncie
Aos Herodes do mundo.
Até que eu, incapaz
De me calar
Devasse os versos e destrua a paz
Que agora sinto, só de te sonhar.

Miguel Torga, in Antologia Poética, 1999
Public. D. Quixote, Lisboa

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

ainda a propósito. dos propósitos

há uns bons meses ouvi um texto simplesmente fabuloso.
atingiu-me. tocou-me com a fúria com que o granizo atinge o vidro em dias de temporal. o vidro não quebrou. ficou o desafio de uma paragem determinada e frequente.
os inícios de ano (civil) são um pontinho de paragem. na verdade, o que acontece depois, é estruturalmente continuidade. as mudanças são pequeninas e com algumas restrições... ainda assim, valem a pena os compromissos. as paragens. as inspirações.
depois de partilhado com alguns amigos oralmente, aqui fica o registo escrito.


"O nosso grande medo não é não termos maturidade para enfrentarmos as tarefas da vida.
O nosso grande medo é o de sermos imensamente ricos.

O que receamos é a nossa luz e não as nossas trevas.

Perguntamo-nos:«Quem sou eu para poder ser luminoso, irresistível, dotado e fantástico?»
E quem és tu para o não seres?

Quando te fazes pequeno não serves o mundo. Não tem nada a ver com a inspiração divina quando te atrofias, para que à tua volta os outros não se sintam inseguros. Quando deixamos a nossa luz interior brilhar, damos inconscientemente aos outros a autorização para fazerem o mesmo.

Ao libertarmo-nos dos nossos medos, permitimos que a nossa simples presença liberte os outros."
Discurso de Nelson Mandela, 1994