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domingo, 26 de setembro de 2010

dos desafios. dos próximos tempos.

no ano lectivo passado, entre outras leituras, deambulei muito por aqui...
deixo o registo de umas passagens muito breves, daquele foi durante meses (e continua a ser) o objecto de provocação ou desafio espiritual. pedaços de História escritos e descritos na primeira pessoa, com uma intensidade avassaladora e subjectividade "objectiva" de quem se deixou "tocar" pela Vida, com toda a profundidade. e terá acordado definitivamente.
este ano vem a continuação, ou melhor, o meu primeiro tropeço (Cartas 1941-1943)


Da apresentação de DIÁRIO (1941-1943)de Etty Hillesum

«Foi novamente como se a Vida, com todos os seus segredos, estivesse próxima de mim, como se eu a pudesse tocar… E ali sentia-me imensamente segura e protegida. E pensei: «Como isto é estranho. É guerra. Há campos de concentração. Pequenas crueldades amontoam-se por cima de pequenas crueldades. Quando caminho pelas ruas, sei que, em muitas das casas por onde passo, há ali um filho preso, e ali um pai refém, e ali têm de suportar a condenação à morte de um rapaz de dezoito anos.» E estas ruas e casas ficam perto da minha própria casa.

Sei do grande sofrimento humano que se vai acumulando, sei das perseguições e da opressão… Sei de tudo isso e continuo a enfrentar cada pedaço de realidade que se me impõe. E num momento inesperado, abandonada a mim própria – encontro-me de repente encostada ao peito nu da Vida e os braços dela são muito macios e envolvem-me, e nem sequer consigo descrever o bater do seu coração: tão fiel como se nunca mais findasse…»


4ªfeira, 18 de Junho de 1941
«(…) A vida em si deve permanecer a fonte primitiva, nunca um outro ser. Muitas pessoas, especialmente mulheres, vão aí buscar a sua força, em vez de a irem buscar directamente à vida, é esse outro ser a sua fonte e não a vida. Isto é tão distorcido e tão antinatural quanto é possível.»


6ª feira, 5 de Setembro de 1941
«Sinto-me tal e qual como alguém recuperando de uma doença grave. Ainda com a cabeça leve e mal se tendo nas pernas. Ontem foi realmente péssimo. Creio que não vivo de modo suficientemente simples por dentro. Que me excedo em «digressões», em bacanais do espírito. Também pode ser que me identifique demasiado com tudo aquilo que leio e estudo. Alguém como Dostoiévski arrasa-me sem eu saber como. Preciso mesmo de me tornar mais simples. Deixar-me tornar um pouco mais viva. Não querer ver imediatamente resultados na minha vida. O remédio sei-o agora. É preciso que me encolha a um canto no chão, e assim, encolhida, escute o que se passa dentro de mim. A pensar nunca resolvo o assunto. Pensar é uma bonita e orgulhosa ocupação quando se estuda, mas não é a pensar que uma pessoa consegue «sair» dos estados de alma difíceis. Nesse caso, outra coisa tem de acontecer. Então deve ser-se passivo e escutar. Estabelecer outra vez contacto com um bocadinho de eternidade.»