há vidas interessantes. pessoas marcantes. tempos polvilhados de eternidade (gosto muito desta palavra). partilhas importantes ou fundamentais, sem as quais alguns momentos seriam vazios de conteúdo e acima de tudo, de sentido.
são essas partilhas, em conversas, leituras e outras estórias, porque plenas, que permitem que o caminho continue. siga o seu curso "natural", com frequência vedado, mas sobre o qual, se vai fazendo alguma luz.
fez tanto sentido ter ouvido este excerto, numa pausa destes tempos desgastantes, como faz cada vez que insisto em procurar o sentido destas palavras. tem sido a companhia orante. não resisto a deixá-la por aqui. obrigada M.
«Maturidade. Aquele instante misterioso que nenhum homem alcançará antes do tempo, mesmo que todos os mensageiros do céu descessem para o ajudar. Assim sucede nas antigas histórias com a série das aparições: todas igualmente eloquentes e ineficazes: a pomba, a raposa, a velha com o molho de silvas. Contudo dizem todas a mesma coisa, repetem e insistem no mesmo aviso. Seria fácil entrever por baixo das penas, do pêlo ruivo ou dos andrajos o relâmpago azul-celeste do trajo da Parca…
Maturidade: nem fulminações nem vozes. Só um precipitar inesperado, quer dizer: biológico: um ponto que deve ser tocado por todos os órgãos ao mesmo tempo para que a verdade se possa tornar natureza.
É como acordar uma manhã e saber uma língua nova. E os sinais, vistos e revistos, tornam-se palavras.
Maturidade é destrinçar continuamente do mundo, que de todos os lados solicita e pressiona (até mesmo e sobretudo o mundo da beleza); só o que é nosso desde as origens, «portanto por destino».
É uma contínua resposta ao Tentador no alto da montanha.»
Cristina Campo, in Os Imperdoáveis