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domingo, 20 de fevereiro de 2011

apontamentos maiores

tropecei na renovada Agenda Cultural (Lisboa) destes mês e encontrei umas palavras soltas de José Tolentino Mendonça, desafiado por Rui Cintra, num jogo de associação livre. não resisto a deixar na algibeira a mão cheia de sentidos. paragens. apontamentos.


AMOR
O amor é talvez a fronteira mais íntima de cada ser humano. É ao mesmo tempo a viagem mais longa que cada um de nós pode fazer. O amor implica uma consciência de si e a capacidade de estabelecer uma relação com o outro.
Simone Weil dizia: «no princípio era a relação».

PALAVRA
A palavra, juntamente com o silêncio, é talvez o grande sintoma da nossa humanidade. As melhores palavras são aquelas que se parecem com o silêncio.

PAIXÃO
A vida sem paixão é uma vida diminuída. A paixão é o que nos dá o sentido da transcendência. Na paixão há emoção, entrega e sentimento de si. A paixão é a condição necessária para a experiência da plenitude e também para a experiência da solidão.

SACRIFÍCIO
O sacrifício é uma palavra inactual, é talvez a palavra que mais precisamos de descobrir, porque é uma palavra da gramática do amor, ao contrário do que se pensa. Não há amor que não inclua, no mais nuclear da sua vivência, a noção e a prática do sacrifício. O sacrifício é essa capacidade oblativa de se fazer dom e é a capacidade de amar até ao fim, até às últimas consequências. O sacrifício é muito impopular na nossa cultura, mas é algo que precisamos de voltar a pensar.

FINITUDE
A finitude é aquilo com que nos debatemos todos os dias. Todos os dias começam e acabam e isso não nos é indiferente. Por vezes é tranquilizante, mas, por outro lado, amplia a sede de que temos de infinito.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

da inteireza


"Ontem conheci um homem inteiro. É uma experiência rara, mas sempre iluminadora e enobrecedora. Custa tanto ser uma pessoa inteira que muito poucos têm a luz, ou a coragem, de pagar o preço... Têm que se abandonar todas as seguranças, e correr o risco de viver corajosamente. Tem que se abraçar o mundo como um amante, e no entanto não exigir retorno. Tem que se aceitar a dor da existência. Tem que se reconhecer que a dúvida e a escuridão fazem parte do processo de conhecimento. É preciso uma vontade firme, sempre em desacomodação, mas, ao mesmo tempo, aberta a aceitar todas as consequências de viver e de morrer”
 

Morris West, “As sandálias do pescador"



ofereceram-me este texto há uns dias. tenho parado nele. não resisto a deixá-lo por aqui.
grande desafio para a época.
projecto de novo ano. de novos anos. novos dias. todas os dias. nova eu.
obrigda M.