um intenso sol a entrar em casa. uma luz cálida a fazer-me sorrir. mais um fim-de-semana metropolitano. metropolitano mas nem por isso cosmopolita (a ver vamos). sabe bem acordar cedo e sentir a poesia matinal, quando o silêncio ainda se escuta, enquanto meia cidade se recompõe das aflições. um café delicioso no sítio do costume. um scone com manteiga por favor. os jornais à minha espera. mais crise e contestação e propostas de fuga para o paraíso, uns filmes para ver. a compra das frutas e legumes na mercearia cá do bairro. e voltar a casa. cozinhar.
ainda a manhã não tinha acabado e já muita informação tinha cruzado o céu dos meus pensamentos. a vontade era muito pouca.
a culinária é uma arte na qual não empreendo a totalidade das minhas energias, mas na qual me aventuro com frequência… é mais um acto criativo, que implica entrega, tempo, paciência e mais uns pós. à volta da criação, a entropia. e o caos. e continua a não apetecer.
depois das lamentações sem muro lá vim eu. comecei na minha tarefa necessária. ou melhor, absolutamente imprescindível. posso cair. desfalecer. ter fome ou sede. se não cuidar de mim, em primeira instância, ninguém o fará. deve ser isto a autonomia… e há dias em que não apetece nada ser autónomo.
continuei a desfiar as pontas deixadas soltas no céu e no momento em que dei início à árdua tarefa, várias foram as imagens que surgiram. esta é uma delas. inspiradora. afinal, ter de cozinhar, mesmo sem vontade, por vezes vale o esforço.