sábado, 27 de dezembro de 2008
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Era uma vez. Uma vez por ano. Na mais profunda noite.


nesta noite, todos os desejos de tudo de bom parecem fazer sentido. nada se deseja a... fica-se em companhia, aquela pouco conseguida, talvez, ao longo do ano e deseja-se com... assim seja.
sábado, 20 de dezembro de 2008
Em jeito de propósito... ou não. Enquanto há natais que se preparam e outros que acontecem.
Maturidade: nem fulminações nem vozes. Só um precipitar inesperado, quer dizer: biológico: um ponto que deve ser tocado por todos os órgãos ao mesmo tempo para que a verdade se possa tornar natureza.
É como acordar uma manhã e saber uma língua nova. E os sinais, vistos e revistos, tornam-se palavras.
Maturidade é destrinçar continuamente do mundo, que de todos os lados solicita e pressiona (até mesmo e sobretudo o mundo da beleza); só o que é nosso desde as origens, «portanto por destino».
É uma contínua resposta ao Tentador no alto da montanha.»
domingo, 16 de novembro de 2008
sábado, 15 de novembro de 2008
Construção de uma BD culinária
ainda a manhã não tinha acabado e já muita informação tinha cruzado o céu dos meus pensamentos. a vontade era muito pouca.
a culinária é uma arte na qual não empreendo a totalidade das minhas energias, mas na qual me aventuro com frequência… é mais um acto criativo, que implica entrega, tempo, paciência e mais uns pós. à volta da criação, a entropia. e o caos. e continua a não apetecer.
depois das lamentações sem muro lá vim eu. comecei na minha tarefa necessária. ou melhor, absolutamente imprescindível. posso cair. desfalecer. ter fome ou sede. se não cuidar de mim, em primeira instância, ninguém o fará. deve ser isto a autonomia… e há dias em que não apetece nada ser autónomo.
continuei a desfiar as pontas deixadas soltas no céu e no momento em que dei início à árdua tarefa, várias foram as imagens que surgiram. esta é uma delas. inspiradora. afinal, ter de cozinhar, mesmo sem vontade, por vezes vale o esforço.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Metamorfoses de Outono
estou sentada e algo vai acontecendo a cada instante. sentada fico e aprecio esta lentidão veloz que me acompanha.
a luz trémula e pouco segura do outono, por vezes interrompida pela nuvem que passa...a noite que chega mais cedo e o tempo que urge.
o reflexo de todos os movimentos da rua na minha parede, no meu corpo. e esse tempo que urge.
o cabelo que cai porque é outono e os cabelos brancos que nascem porque é outono. ou porque me vou transformando lentamente. em outono.e o tempo que urge.
aqui. agora sentada na minha cadeira.
as decisões profundas e os projectos mais sérios são do frio e da montanha. do tempo que tem outros compassos. do tempo que tem tempos outros. hoje é um dia de desafio. é um dia para aprender sobre o tempo, sobre a urgência, sobre o amor.
é um dia para lembrar a humildade perante a vida. querer aprender com isso. e sorrir. porque tenho tido tempo...
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Escuridão polvilhada de pontinhos. De luz.
ontem foi assim. melhor...ontem acabou assim e foi deste modo que o hoje teve início.
aqui fica mais um apontamento, bem modesto é certo, dos Sigur Rós, desta vez num concerto em Lisboa (Campo Pequeno).
o registo nem sempre foi este, calmo e intimista, as minhas favoritas ficaram por cantar à espera de uma próxima vez (...) o espaço não foi o melhor, mas valeu muito a pena...
para combater a «crise» ou pelo menos lidar com ela, nada como fazer uma pausa que traga uns minutos de verdadeira inspiração e encher-me do ar que preciso para prosseguir viagem... com tudo aquilo que faz parte do quotidiano (com relativa frequência cheio de coisinhas sem interesse e obstáculos burocráticos...).
aproveitemos.
sábado, 8 de novembro de 2008
Cenas caseiras dos últimos tempos II
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Cenas caseiras dos últimos tempos I
domingo, 12 de outubro de 2008
há dias assim. e sensações destas!
dias de mudança. de fim. de princípio. de fim-de-semana. de chuva. de outono que se instala. de folhas amarelas. o que não interessa cai...
há histórias assim (também). algumas delas.
compro um livro, de bónus vem um cd sem quasquer indicações e a música é boa. entranhou-se ou foi-se entranhando.
li o livro. ouvi a música vezes sem conta.ilustrando este dia, hoje, é com música.há livros de inverno, ou pelo menos de outono. assim como as pessoas. os sentimentos. as memórias. as ligações.
deixo o apontamento de uma Barcelona revisitada. do vento. das sombras.
quem ainda não leu...aproveite. está na altura certa.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Presépio privado I, II, III, IV




domingo, 31 de agosto de 2008
Faço minhas estas palavras...

há uma semana foi assim...
deambulações entre o documentário e a ficção. pontas soltas. o cruzamento permanente de histórias pouco lineares. montanha. rio. interior. uma música pouco comum nestas andanças. as procissões. os afectos. vidas. a equipa de rodagem que entra no filme. a história das vidas. reais? ou nem por isso...
a ver.
neste final de Agosto. também querido.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Sigur Rós - Góðan Daginn
terça-feira, 12 de agosto de 2008
OS AMIGOS
Esses estranhos que nós amamos
e nos amam
olhamos para eles e são sempre
adolescentes, assustados e sós
sem nenhum sentido prático
sem grande noção da ameaça ou da renúncia
que sobre a luz incide
descuidados e intensos no seu exagero
de temporalidade pura
Um dia acordamos tristes da sua tristeza
pois o fortuito significado dos campos
explica por outras palavras
aquilo que tornava os olhos incomparáveis
Mas a impressão maior é a da alegria
de uma maneira que nem se consegue
e por isso ténue, misteriosa:
talvez seja assim todo o amor
José Tolentino de Mendonça, in De Igual Para Igual
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Atrás deste assombro há outro assombro – e depois outro assombro ainda.
Uma vida resume-se em duas linhas, sintetiza-se em dois ou três factos. Se a vida fosse só isso não valia a pena vivê-la. A vida é muito maior pelo sonho do que pela realidade. Pelo que suspeitamos do que pelo que conhecemos. Se nos contentamos com a superfície, não há nada mais estúpido – se nos quedamos a contemplá-la faz tonturas. É por isso que eu teimo que a Morte não tem só cinco letras, mas o mais belo, o mais tremendo, o mais profundo dos mistérios. Prepara-te.
Cada vez descubro em mim um subterrâneo mais fundo.
O problema capital da vida é o problema da morte. Ele resolve tudo. Não há factos isolados; não há acontecimento no universo que não gere outro acontecimento. O inconsciente não pode criar o consciente. É impossível dar um passo a que não suceda outro passo. A vida gera a morte – a morte gera vida. Mas que vida?
Sou nada diante do universo. Mas teimo, mas discuto comigo e contigo, ó espanto, mas defronto-me com o enigma, encarniço-me e saio daqui esfarrapado, despedaçado – mas teimo e hei-de vencer-te. Não quero morrer de vez. Não quero perder a consciência do universo nem a sensibilidade do universo. Eu sou o nada, tu és o infinito – hei-de por força vencer-te!
E no entanto sinto-me tocado de hesitação e de dúvida. Do que tenho saudades é desta vida. Ao que eu aspiro é a esta vida. O gesto que o moribundo faz ao arrepanhar o lençol é um gesto de náufrago.
De um lado a matéria, do outro o espírito. De um lado a consciência, debate, luta, do outro a impassibilidade, a fatalidade inexorável. Nenhum grito a perturba. De um lado a vida gasta num segundo, do outro a sucessão ininterrupta dos séculos, indiferente e eterna. Como o acaso é atroz, a não ser que outra coisa nos espere.
Se não nos detivéssemos com palavras, se avançássemos, todos ao mesmo tempo, esquecendo o que é inútil, para esta coisa que nos devora, subjugávamo-la. Conquistávamo-la por uma vez, por maior que ela fosse. Mas nenhum de nós se atreve e passamos a vida a fingir que não existe.
Mas eu sinto-o, eu prevejo-o. Eu sei perfeitamente que toda a discussão é inútil. Vai chegar o momento que entre mim e ela se interpõe o sonho…”
Raul Brandão, in Húmus














