sábado, 21 de fevereiro de 2009

dia de aniversário. um ano.
dia de celebrar o novo que entretanto já não é tão novo quanto isso. nem novo. nem novidade.
tenho passado pouco por aqui. por falta de tempo. literalmente. por falta de assunto. também. ou melhor, por falta de paciência para escrever sobre os assuntos.
tem dias. no meio das muitas coisas que tenho para viver e muitas vezes resolver, nas parcas horas que o dia me deixa, prefiro as conversas...depois não há espaço para o registo.
quando as pálpebras (resistentes) não se fecham, registo no livrinho de cabeceira o pouco que resta e que gostaria que permanecesse intacto.
não sei se é assim, se sempre foi. ou se o é com todas as pessoas. na exacta medida em que o tempo evolui e que a oxidação acontece em mim, o conceito de velocidade transforma-se em algo semelhante a uma progressão geométrica.
creio que nunca pensei na velociadade enquanto conceito dinâmico e mutável à medida das necessidades... cada vez mais. é dessa forma que se apresenta. nos meus dias.
este ano, lectivo entenda-se, é um ano de acumulações. coisas. coisinhas. trabalhos. reflexões. apresentações. reuniões. atendimentos. mais reuniões. cabelos brancos das reuniões. e ontem, foi fim de ano.
tem-me acontecido nos últimos tempos perceber que o tempo passou, não porque controlo os autocarros pela chegada dos aviões (como há uns anos, em que sabia o avião da easy-jet sobrevoava certos telhados de Campo de Ourique, sensivelmente pelas 7h35mim e se assim não fosse quem estava atrasada era eu), nem porque tenho trabalhos para entregar (isso é sempre para ontem) e muito menos porque vejo o calendário...mas porque fico completamente baralhada quando faço uma pausa para fazer um bolo e percebo que não devo porque metade dos ingredientes passou da validade. sou cuidadosa com as compras, mas inevitavelmente penso: será que comprei fora da validade? lembro-me disto(...) e foi há tão pouco tempo.
isto é algo cada vez mais recorrente nos meus dias.
basicamente um ano também passou assim. parece que foi ontem que estive com a T a iniciar um blogue, pesquisei uma música dos Sigur Rós e acabámos com um jantar fabuloso feito pelo R.
talvez seja essa a utilidade dos blogues... criar ferramentas que permitam registar e acompanhar de forma documentada uma qualquer coisa. algibeiras...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Juan Muñoz
















(Imagem: fotografia «oficial» presente na comunicação da exposição)

ainda uma possibilidade. até 24 de fevereiro. a não perder. em serralves.

muitas são as histórias destes senhores. ouvem-se os ruídos sem som organizado. muitas conversas às quais não somos chamados. metáfora? os pés presos ao chão. o mundo preso ao corpo.

foi assim. um fim-de-semana sem máquina, mas com memória(s).

domingo, 18 de janeiro de 2009

BWV 659




foram assim os últimos dias. uma surpresa interessante. daqueles acasos absolutamente incompreensíveis...

era uma vez uma cassete que andava num carro de uma amiga. perdida. e fabulosa. estragou-se pelo desgaste de todas as vezes que serviu de companhia. pelas horas infinitas de acolhimento de sentimentos invernosos. primaveris.

muitos foram os momentos em que deambulei pela fnac à procura. não sabia exactamente o que procurava, é certo. andaria pelo ano de 2002. sábado, numa busca absolutamente desinteressada, apenas movida pela curiosidade, peguei num cd...e o desfecho, o óbvio. nem queria acreditar...

não resisto a deixá-la por aqui (a minha versão é interpretada pelo Pedro Burmester
).

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

que 2009 seja.
o que quisermos.
o que a circunstâncias permitirem.
o que os limites do sonho impuserem.
ou não. bom ano!

deixo aqui um excerto de uma música do Pedro Barroso, revisitado no final de ano.
("agora nunca é tarde")

"…e se aquilo que nos dão todos os dias
não for coisa que se cheire
ou nos deslumbre
que pelo menos nunca abdiquemos de pensar
com direito à ironia, ao sonho, ao ser diferente
e será talvez uma forma inteligente
de afinal,

nunca

nunca

nunca ser tarde demais para viver
nunca ser tarde demais para perceber
nunca ser tarde demais para exigir
nunca ser tarde demais para acordar"

sábado, 27 de dezembro de 2008

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Era uma vez. Uma vez por ano. Na mais profunda noite.


































parece sempre que foi ontem. e no fundo, quase terá sido... há conversas quase repetidas em torno desta presença quente. ano após ano. partilhas de vidas enriquecidas de tempos e memórias. muitas memórias. e é sempre tão bom ouvir!
há uma parte da magia do Natal que passa invariavelmente por aqui. pelo sentido profundo da partilha, muito para lá da corrida neurótica às lojas, porque sim. muito para lá de todo o esvaziamento muitas vezes resolvido com um sms, porque não há tempo nem paciência. sinais dos tempos. ou da falta deles.
nesta noite, todos os desejos de tudo de bom parecem fazer sentido. nada se deseja a... fica-se em companhia, aquela pouco conseguida, talvez, ao longo do ano e deseja-se com... assim seja.
ainda assim, não sei se resistirá ao bicho papão da crise, da globalização, da tecnologia (...) e a todos os outros bichos nomeados. ou inventados. em nome dos tempos modernos... e não se transforme numa espécie de rave de verão, versão inverno. a dada altura estivemos quase lá.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Em jeito de propósito... ou não. Enquanto há natais que se preparam e outros que acontecem.

há vidas interessantes. pessoas marcantes. tempos polvilhados de eternidade (gosto muito desta palavra). partilhas importantes ou fundamentais, sem as quais alguns momentos seriam vazios de conteúdo e acima de tudo, de sentido.
são essas partilhas, em conversas, leituras e outras estórias, porque plenas, que permitem que o caminho continue. siga o seu curso "natural", com frequência vedado, mas sobre o qual, se vai fazendo alguma luz.
fez tanto sentido ter ouvido este excerto, numa pausa destes tempos desgastantes, como faz cada vez que insisto em procurar o sentido destas palavras. tem sido a companhia orante. não resisto a deixá-la por aqui. obrigada M.
«Maturidade. Aquele instante misterioso que nenhum homem alcançará antes do tempo, mesmo que todos os mensageiros do céu descessem para o ajudar. Assim sucede nas antigas histórias com a série das aparições: todas igualmente eloquentes e ineficazes: a pomba, a raposa, a velha com o molho de silvas. Contudo dizem todas a mesma coisa, repetem e insistem no mesmo aviso. Seria fácil entrever por baixo das penas, do pêlo ruivo ou dos andrajos o relâmpago azul-celeste do trajo da Parca…

Maturidade: nem fulminações nem vozes. Só um precipitar inesperado, quer dizer: biológico: um ponto que deve ser tocado por todos os órgãos ao mesmo tempo para que a verdade se possa tornar natureza.

É como acordar uma manhã e saber uma língua nova. E os sinais, vistos e revistos, tornam-se palavras.

Maturidade é destrinçar continuamente do mundo, que de todos os lados solicita e pressiona (até mesmo e sobretudo o mundo da beleza); só o que é nosso desde as origens, «portanto por destino».
É uma contínua resposta ao Tentador no alto da montanha.»
Cristina Campo, in Os Imperdoáveis

domingo, 16 de novembro de 2008













um miminho que chegou por correio há algum tempo e sabe muito bem nesta época do ano...chá quente para quebrar os frios. os de fora e os outros. obrigada M.

sábado, 15 de novembro de 2008

Construção de uma BD culinária














um intenso sol a entrar em casa. uma luz cálida a fazer-me sorrir. mais um fim-de-semana metropolitano. metropolitano mas nem por isso cosmopolita (a ver vamos). sabe bem acordar cedo e sentir a poesia matinal, quando o silêncio ainda se escuta, enquanto meia cidade se recompõe das aflições. um café delicioso no sítio do costume. um scone com manteiga por favor. os jornais à minha espera. mais crise e contestação e propostas de fuga para o paraíso, uns filmes para ver. a compra das frutas e legumes na mercearia cá do bairro. e voltar a casa. cozinhar.

ainda a manhã não tinha acabado e já muita informação tinha cruzado o céu dos meus pensamentos. a vontade era muito pouca.

a culinária é uma arte na qual não empreendo a totalidade das minhas energias, mas na qual me aventuro com frequência… é mais um acto criativo, que implica entrega, tempo, paciência e mais uns pós. à volta da criação, a entropia. e o caos. e continua a não apetecer.

depois das lamentações sem muro lá vim eu. comecei na minha tarefa necessária. ou melhor, absolutamente imprescindível. posso cair. desfalecer. ter fome ou sede. se não cuidar de mim, em primeira instância, ninguém o fará. deve ser isto a autonomia… e há dias em que não apetece nada ser autónomo.

continuei a desfiar as pontas deixadas soltas no céu e no momento em que dei início à árdua tarefa, várias foram as imagens que surgiram. esta é uma delas. inspiradora. afinal, ter de cozinhar, mesmo sem vontade, por vezes vale o esforço.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Pintura de luz







Metamorfoses de Outono

estou sentada e algo vai acontecendo a cada instante. sentada fico e aprecio esta lentidão veloz que me acompanha.

a luz trémula e pouco segura do outono, por vezes interrompida pela nuvem que passa...a noite que chega mais cedo e o tempo que urge.

o reflexo de todos os movimentos da rua na minha parede, no meu corpo. e esse tempo que urge.

o cabelo que cai porque é outono e os cabelos brancos que nascem porque é outono. ou porque me vou transformando lentamente. em outono.e o tempo que urge.

aqui. agora sentada na minha cadeira.

as decisões profundas e os projectos mais sérios são do frio e da montanha. do tempo que tem outros compassos. do tempo que tem tempos outros. hoje é um dia de desafio. é um dia para aprender sobre o tempo, sobre a urgência, sobre o amor.

é um dia para lembrar a humildade perante a vida. querer aprender com isso. e sorrir. porque tenho tido tempo...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Escuridão polvilhada de pontinhos. De luz.

ontem foi assim. melhor...ontem acabou assim e foi deste modo que o hoje teve início.

aqui fica mais um apontamento, bem modesto é certo, dos Sigur Rós, desta vez num concerto em Lisboa (Campo Pequeno).

o registo nem sempre foi este, calmo e intimista, as minhas favoritas ficaram por cantar à espera de uma próxima vez (...) o espaço não foi o melhor, mas valeu muito a pena...

para combater a «crise» ou pelo menos lidar com ela, nada como fazer uma pausa que traga uns minutos de verdadeira inspiração e encher-me do ar que preciso para prosseguir viagem... com tudo aquilo que faz parte do quotidiano (com relativa frequência cheio de coisinhas sem interesse e obstáculos burocráticos...).

aproveitemos.

sábado, 8 de novembro de 2008

Cenas caseiras dos últimos tempos II














a cor na versão material das linhas. as experiências que me aguardam. estar perdida no meio da cor, das texturas, dos padrões... humm que bela manhã de sábado chumbo...pelo bairro de Campo de Ourique.
pena é que o pensamento seja muito mais rápido que as mãos...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Cenas caseiras dos últimos tempos I






















quando acidentalmente parece que não há muito para fazer... inventa-se, ou não!
há afinal, sempre e ainda, ideias.
algo por concluir, por deixar dito, por ser escrito... à espera de ser pintado, preso, amarrado ou definitivamente destruído.
há sempre coisas à espera de serem outras.

domingo, 12 de outubro de 2008



há dias assim. e sensações destas!
dias de mudança. de fim. de princípio. de fim-de-semana. de chuva. de outono que se instala. de folhas amarelas. o que não interessa cai...

há histórias assim (também). algumas delas.

compro um livro, de bónus vem um cd sem quasquer indicações e a música é boa. entranhou-se ou foi-se entranhando.

li o livro. ouvi a música vezes sem conta.ilustrando este dia, hoje, é com música.há livros de inverno, ou pelo menos de outono. assim como as pessoas. os sentimentos. as memórias. as ligações.

deixo o apontamento de uma Barcelona revisitada. do vento. das sombras.

quem ainda não leu...aproveite. está na altura certa.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Presépio privado I, II, III, IV

















Já lá vai um mês...Faço tentativas de aproximação a uma assiduidade diferente, nem sempre conseguida (à falta de melhor, o final do mês, como o post passado, até não vai muito mal)...
Os inícios são, para mim, períodos algo conturbados, não porque os considere objectivamente difíceis, mas porque aproveito para começar! Em rigor, nunca retomo nada. Procuro outras dimensões e o ponto em que supostamente fiquei acaba por ser o horizonte passado, para que não esqueça... Fica sempre um mundo inteiro para dirigir. E para digerir também.
Setembro acaba por ser o mês dos projectos, dos objectivos afirmados numa espécie de desejo, de esperança, de votos para um ano de trabalho que se avizinha sorrateiramente bom, desfiante, trabalhoso e cheio de surpresas por revelar...
Setembro é para mim o Janeiro de muitos. Ainda que seja uma mistura nem sempre fácil de calor com muita nostalgia.
De volta, há já um mês, há muito de positivo e grandioso nas vidas com quem vou partilhando pedaços de tempo. Pedaços de memória. Pedaços de conversas, chá e tardes bem passadas.
Para trás fica algo grande como a montanha, que tenho normalmente como o mais privado e poético de todos os presépios. Basta anoitecer. E as natividades, essas, sempre que estou disposta a isso. Nalgum lugar cá dentro...

domingo, 31 de agosto de 2008

Faço minhas estas palavras...


















há uma semana foi assim...

deambulações entre o documentário e a ficção. pontas soltas. o cruzamento permanente de histórias pouco lineares. montanha. rio. interior. uma música pouco comum nestas andanças. as procissões. os afectos. vidas. a equipa de rodagem que entra no filme. a história das vidas. reais? ou nem por isso...

a ver.

neste final de Agosto. também querido.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Fugacidades ou Fuga às Cidades #2 (o possível)

Qualquer coisa que ainda faltava para completar o trecho imagético...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008































ontem foi assim.
pontos de passagem. momentos de paragem entre as estações ferroviárias da Covilhã e Guarda.
um desafio paisagístico a não perder. a solo. em família. com amigos.
uma hora e um quarto de lentidão relativa... e qualquer coisa de imenso.