segunda-feira, 30 de junho de 2008



Há momentos que requerem distâncias temporais para se poder falar sobre eles.
Não porque sejam menos bons, mas porque são grandes. Simplesmente.
Um grande espectáculo. Uma grande companhia.
Aqui fica a possibilidade da espreita.

sexta-feira, 23 de maio de 2008




























alguma da poesia que vai acontecendo sem que percebamos...
num cantinho perdido e bem escondido.
de onde se vêem as estrelas e cheira a frio. às vezes.

terça-feira, 6 de maio de 2008


Quando a tecnologia não acompanha as intenções...

Depois de inúmeras tentativas para controlar a localização das legendas e sem grande resultado, aqui ficam...


Contemplação.

Inspira. Expira. E dá-me cor. Apenas.

domingo, 4 de maio de 2008












relatos de um fim de dia bem diferente, com um almoço a espreitar o mar.
conversas e mais conversas. deambulações em silêncio. de coração cheio.
obrigada.quando os dias têm cores diferentes devemos agradecer.
e quando não têm, agradeça-se também.
afinal, há vida na própria vida e claro, nos seus intervalos.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Tagus... espreitado de uma janela ambulante e transitória...

terça-feira, 29 de abril de 2008



há tanto tempo... e continua. intensa.
se há músicas, filmes que posso apelidar de meus...

ontem. depois de uma visita ao convento de S. Francisco, noutra altura uma espécie de segunda casa, se é que as segundas casas são possíveis, remexi a algibeira e cá estava.
com a mesma força de sempre. as mesmas inquietações. a mesma pele.

foi muito bom voltar às conversas pictóricas e ouvir a TT dissertar.
será que atingiu o objectivo?

domingo, 27 de abril de 2008

Trajecto de raizes #2

por vezes é assim.

de manhã ou à tarde. em dias grandes ou pequenos. com o coração liberto ou muito apertadinho...naqueles dias em que algo muda, transforma e transforma-se. no pormenor de grandes viagens, as que acontecem por dentro, sobretudo. acompanhadas de uma banda sonora muito particular.

as linhas são sempre as mesmas. as pessoas nem por isso, sobretudo quando confrontadas consigo numa qualquer paragem, depois de um tempo suspenso.

enquanto escrevo, inúmeros são os pensamentos que me atravessam. não sei se as viagens têm memória. Talvez.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Mudanças. Algumas pelo menos. Alguma falta de tempo. Alguma falta de net. Ou de entendimento. Alguma saudade.

não vou demorar. muito.

segunda-feira, 10 de março de 2008















por vezes os pensamentos. as conversas. os sonhos. são assim.
andava por aqui à procura de pontas na algibeira. tropecei em papéis, textos, coisitas virtuais, como, de resto, virtual é muito daquilo que se vai vivendo [voltarei aqui um destes dias]. ou não.
encontrei um desabafo que já não me lembrava de ter soltado. enquadra-se muito remotamente, talvez, porque posicionado no ângulo oposto, no desenrolar das últimas vivências colectivas.
Ontem. Foi assim.

Deitei-me tarde. Procurei todo o serão por aquela palavra. Vasculhei. Percorri uma infinidade de páginas. Desisti.
Um sono atribulado espreitava. A acta por terminar. E aquela palavra...
Pior que não saber, é não saber exactamente o que se procura.
A angústia tomou conta de mim. Como toma sempre nestas circunstâncias.

Pensava, corrigir dá trabalho. Confrontar dá imenso trabalho.
Sempre ouvi falar da felicidade como o limite que existe, sem que ninguém saiba muito bem onde. Ocorreu-me que felicidade e trabalho caminham juntos. As dúvidas também. Talvez.

Dúvidas? Onde?
Claro que nós não. Nunca. Ainda bem.
Acordei.

[Numa sociedade que se quer competitiva, quase asséptica e onde produzir é sinónimo de ficar atolado numa lama de trabalho até à inconsciência, não há lugar a esse nobre devaneio. Interessa apenas a resposta rápida. Tudo para Ontem. Mas tal como o amanhã, não sabemos se existe.]

É interessante. Ou deprimente.
Sobre a educação muita tinta corre. Sobre a condução também. Muito ruído se faz ouvir. Sente-se a angústia crepitante da obtenção de resultados. [Obtém resultados. Funciona. Boa educação. Não obtém tudo falha.]

Os alunos, matéria-prima em bruto com que se molda inequivocamente o futuro, não podem ser objecto permanente de análise como se de uma transacção financeira se tratasse. Deu lucro ou prejuízo? Quer-se frenética e ingenuamente que haja bons alunos como se fosse uma característica inata, um dado adquirido. Ignora-se a individualidade, ignora-se a especificidade de cada ser. Ignoram-se as maravilhas que o tempo produz, ignoram-se os ciclos da natureza, ignora-se o trabalho, e ignora-se sobretudo o que fazemos por CÁ...

Estamos mais inseguros que nunca. Querem-se números. Precisamos deles. Resultados palpáveis e bem estampados algures para que nunca esqueçamos. Se não pararmos, muito cheios de cosmopolitanismo e um ego, que de tão inchado, inflamou, saberemos que corremos porque é assim mesmo.

[«Já o cá encontrámos» diriam numa aldeia perdida por este país, mas claro que nós não! Não nos levamos por esses pensamentos. Não sabemos porque corremos. Mas corremos. E se todos correm. É porque faz parte do jogo, da manutenção de uma qualquer estrutura com absoluto desinteresse. Carneirada dir-se-ia.]

Como a felicidade não entra nesta apreciação não interessa saber em que ponto se situa.
Mas talvez a aferir-se devesse ser alvo de plano de quase contingência nacional [salvo excepções fabulosas para quem esta é a disciplina mais importante porque sabe que todo resto vem por acréscimo].

A paranóia colectiva ou uma espécie de stress pós traumático instala-se. Afogados em medo queremos encontrar aquele antídoto para as maleitas. Aquelas. As maiores.
A ciência não encontra solução para almites, traduza-se, inflamação do órgão maior e mais difícil de encontrar, apelidado de alma.
Às vezes os óptimos resultados, os visíveis, sem mais, são uma espécie de efeito placebo, em que outras dimensões se tornam inquestionáveis.
Por vezes pergunto-me se tivéssemos atingido um ponto de evolução de tal ordem em que os números não existissem, como estaríamos...

Por vezes pergunto-me ainda como é que ser professor pode passar pela cabeça de alguém que queira no mínimo sobreviver. Não sei efectivamente. Mas posso sempre perguntar como não? Ou porque não? Vasculho na memória, já suficientemente rasurada e talvez a escola me tenha sido apresentada como um lugar seguro. A escola tem de ser um lugar seguro. Sempre.

sábado, 8 de março de 2008

APRENDIZ DE VIAJANTE

Um dia li num livro: «Viajar cura a melancolia».

Creio que, na altura, acreditei no que lia. Estava doente, tinha quinze anos. Não me lembro da doença que me levara à cama, recordo apenas a impressão que me causara, então, o que acabara de ler.

Os anos passaram - como se apagam as estrelas cadentes - e, ainda hoje, não sei se viajar cura a melancolia. No entanto, persiste em mim aquela estranha impressão de que lera uma predestinação.

A verdade é que desde os quinze anos nunca mais parei de viajar. Atravessei cidades inóspitas, perdi-me entre mares e desertos, mudei de casa quarenta e quatro vezes e conheci corpos que deambulavam pela vasta noite... Avancei sempre, sem destino certo.

Tudo começou a seguir àquela doença.

Era ainda noite fechada. Levantei-me e parti. Fui em direcção ao mar. Segui a rebentação das ondas, apanhei conchas, falésias; afastei-me de casa o mais que pude. Vi a mahã eguer-se, branca, e envolver uma ilha; vi crepúsculos e noites sobre um rio, amei a existência.

Dormia onde calhava: no meio das dunas, enroscado no tojo, como um animal; dormia num pinhal onde me dessem abrigo, em celeiros, garagens abandonadas, uma cama...

E quando regressei, regressei com a ânsia do eterno viajante dentro de mim.

Hoje sei que o viajante ideal é aquele que, no decorrer da vida se despojou das coisas materiais e das tarefas quotidianas. Aprendeu a viver sem possuir nada, sem um modo de vida. Caminha, assim, com a leveza de quem abandonou tudo. Deixa o coração apaixonar-se pelas paisagens enquanto a alma, no puro sopro da madrugda, se recompõe das aflições da cidade.

A pouco e pouco, aprendi que nenhum viajante vê o que outros viajantes, ao passarem pelos mesmos lugares, vêem.

O olhar de cada um, sobre as coisas do mundo, é único, não se confunde com nenhum outro.

Viajar, se não cura a melancolia, pelo menos, purifica. Afasta o espírito do que é supérfluo e inútil; e o corpo reencontra a harmonia perdida - entre o homem e a terra. O viajante aprendeu, assim, a cantar a terra, a noite e a luz, os astros, as águas e as trevas, os peixes, os pássaros e as plantas. Aprendeu a nomear o mundo.

Separou com uma linha de água o que nele havia de sedentário daquilo que era nómada; sabe que o homem não foi feito para ficar quieto. A sedentarização empobrece-o, seca-lhe o sangue, mata-lhe a alma - estagna o pensamento.

Por tudo isto, o viajante escolheu o lado nómada da linha de água. vive ali, e canta - sabendo que a vida não terá sido um abismo, se conseguir que o seu canto ou estilhaços dele, o una de novo ao Universo.

Al Berto, in O Anjo Mudo



um dia também li num livro «Viajar cura a melancolia»...já foi há muito tempo, sobretudo aquele que é contabilizadinho até à mais ínfima fracção de qualquer coisa, que em absoluto me escapa e no limite, a memória.
o sentido que fez no dia em que o descobri continua, ainda.
é como algumas pessoas. talvez. as que permanecem.

(as questões de realidade ou de virtualidade são interessantes e provocam-me com frequência estranheza. uma mescla intrincada e complexa... em qual dos lados haverá mais vida, ou mais verdade...) porque pensei nisso. porque elaborei universos de associações infindáveis, decidi deixá-lo por aqui. sabe sempre bem degustá-lo uma vez mais.

amanhã verei se me escapou alguma letra.

domingo, 2 de março de 2008



























[In]definições #2 ou Grafia da luz (segundo R.Gonk)













[In]definições #1

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

É assim. Foi assim e sê-lo-á sempre.

Há sempre uma qualquer coisa na algibeira.

Umas vezes nós. Outras, amarras.

Outras somos nós. Apenas. Com ou sem penas.

Memórias de montanha. Poesia. Pensamentos. Amigos. Pó. Tempo...

Vou muito devagar.

Num tempo que se quer fast, em absoluto, aprecio a lentidão.

Da paisagem. Dos acontecimentos. Das pessoas. Do prórpio tempo.

Só de pensar na palavra L E N T I D Ã O sinto o começo de uma nova contagem. Perco em tempo. Ganho em intensidade. Ganho tempos outros.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008